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03/05/2018
Trabalhadores de Minas Gerais se unem por avanço na garantia dos direitos

Em tempos de dificuldades e de perda das garantias dos direitos, a alternativa encontrada pela classe dos trabalhadores é se unir. E foi com esse espírito de união que os representantes de diferentes Centrais Sindicais de Minas Gerais se reuniram para o Encontro da Classe Trabalhadora. Cerca de 200 trabalhadores participaram do evento que aconteceu no dia 27/04/2018 no hall das bandeiras na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

O presidente nacional da Nova Central Sindical dos Trabalhadores, NCST, José Calixto Ramos, fez a abertura do encontro e ressaltou a necessidade de unir a classe trabalhadora em busca da resistência aos ataques realizados pelo atual governo federal aos direitos trabalhistas por meio da reforma realizada. “É um prazer estar nesse encontro. Estamos aqui para falar sobre as consequências que estamos passando graças a essa ‘deforma’ trabalhista. O Brasil inteiro está sofrendo o mesmo drama, com as relações de trabalho precarizadas e sem os recursos financeiros que tínhamos para trabalhar. A maioria do congresso e do atual executivo praticou uma verdadeira crueldade com os trabalhadores brasileiros. Precisamos fazer uma reação muito forte”, disse Calixto.

Além da NCST, também participaram do encontro representantes das centrais: CTB, UGT, Força Sindical, CSP Conlutas, CSB, Intersindical e CESP. O membro da diretoria da CTB, Gelson Alves da Silva, destaca a busca pela organização dos trabalhadores do Estado. “Nosso objetivo neste encontro é organizar e traçar os rumos para enfrentar os desafios. A partir desse encontro pretendemos fazer os debates regionais nos municípios, sabemos que o Estado é muito grande e acaba dificultando o deslocamento de muitos trabalhadores para a capital. Pretendemos também realizar este encontro em nível nacional”, comentou Gelson.

A representante da Central das Entidades dos Servidores Públicos, Joelísia Feitosa, também falou sobre a necessidade de união da classe trabalhadora e o desafio da luta pela manutenção dos direitos trabalhistas. “Esse é um momento impar para fazermos essa reunião das centrais, buscando reerguer as nossas forças e unificar as nossas bandeiras em prol do trabalhador brasileiro”, disse.

Os temas tratados pelos palestrantes foram os Desafios ao Movimento Sindical Frente a Vigência da Nova Legislação Trabalhista, os Impactos da Reforma Trabalhista na Saúde do Trabalhador e a Reforma da Previdência. “O grande desafio e o principal é uma mudança de visão de representação sindical, atualmente há uma limitação no movimento sindical de que ‘eu’ represento um alguém que já trabalha, diante do cenário que temos hoje é necessário ter uma visão de classe, então eu represento não só aquele que está no ambiente de trabalho, mas aquele que busca um ambiente de trabalho como os desempregados. O sindicato terá que buscar mecanismos dentro da negociação coletiva para fazer um anteparo para que essas novas formas de contratação, em virtude da alta rotatividade, não afastem a atuação sindical no ambiente das relações de trabalho”, afirmou a advogada e ex-secretária de Relações do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, Zilmara David de Alencar.

O advogado especialista em direito previdenciário, presidente do Instituto de Estudos Previdenciários (Ieprev), membro da comissão de Direito Previdenciário da OAB/MG e presidente da Comissão de Direito Previdenciário da AACO/MG, Roberto de Carvalho Santos fez uma explanação sobre a Reforma da Previdência. De acordo com Roberto, o governo federal ‘deu um tiro no próprio pé’ ao aprovar a nova legislação trabalhista.

“A Reforma Trabalhista gera um impacto enorme na questão previdenciária porque nós estávamos falando da importância em manter as fontes de custeio da Previdência e da Seguridade Social, e o governo faz o contrário, na medida em que ele retira verbas que antes tinham de natureza salarial e agora passa a ter uma natureza indenizatória as empresas não precisam pagar a contribuição previdenciária em cima desse valor, então isso diminui a arrecadação”, ressaltou Roberto de Carvalho.

O encontro contou também com a participação do presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de Minas Gerais, Everson Tardeli.

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